Resenha dos textos de Paulo Freire “Política da Educação” e
Entre a História Sagrada e a História Profana
O de Paulo Freire, esclarece que a pedagogia não pode ser dogmatizada, não deve se congelar. Mas ele também não quer perambular, vaguear na sua postura pedagógica. Ele ressalta que acompanhar a História social o faz estar firme em sua posição e também não o torna dogmatizado, fechado para as novas estratégias e métodos de ensino. A História tem grande participação no movimento dos pensamentos e políticas educacionais. Construir a educação com esta disciplina ajuda a dirimir preconceitos e formar ideais mais concretos para um aprendizado mais abrangente.
O cientificismo como única forma de educação com definições tão lógicas e exatas, não permite ao aprendizado reflexivo e pensante. A ciência não é uma forma de congelar o conhecimento e o método pedagógico, mas os tornam quando passa a ser o único modelo tomado como eficaz. Assim, pode-se dizer que é um método determinista.
Além do cientificismo, a concepção histórica que fazemos pode não alterar a educação. Os dominantes podem acreditar que se sempre foi assim, assim deve continuar. Os dominados ou podem aceitar que nasceram para este estilo de vida ou dar seqüência à história dos que lutaram contra os dominadores. O autor Montego Bay citou alguns exemplos encontrados no texto “Anotações sobre Unidade na Adversidade” que reforçam a educação dominante: “os negros continuam inferiores, mas podem se sentar em qualquer lugar no ônibus. Os latinos são boa gente, mas não são pontuais”. Esta seria uma concepção de História que o futuro repete o presente. É também um modelo preconceituoso onde a minoria tão pragmatizada não pode aprender e muito menos ensinar.
Um exemplo de educação dominante fora do contexto brasileiro, foi o que aconteceu nas madrassas afegãs no período do regime talibã:
“A guerra estava presente até nos livros de matemática. Os meninos da escola –
o Talibã só fazia livros para meninos – não contavam maçãs e bolos, mas balas e
kalashnikovs. Um exercício podia ser assim: “O pequeno Omar tem uma kalashnikov
com três pentes. Em cada pente há vinte balas. Ele usa dois terços das balas e mata
sessenta infiéis. Quantos infiéis ele mata por bala?”
(Sierstad, Asne.O Livreiro de Cabul. São Paulo: Ed. Record, 2006, pág.76)
O exemplo acima citado, ainda que utilizasse seu próprio contexto para aprender matemática, mostra a limitação educacional dada às crianças. Estas não aprendiam para questionar e transformar, mas para manter um domínio de regime escravista. Falar em disciplina de História, que não fosse a religiosa seria impossível. A própria disciplina histórica tende a gerar animosidade na cultura e seu povo não aceitaria mais esta condição tão repulsiva.
O texto propõe uma análise do educador que tem a função de criticar outros educadores e seus escritos. Todos que se colocam na função de transformar pensam, interagem, agem e também são passíveis de crítica. Ao educador cabe humildemente aceitar a crítica. E para o crítico cabe a ética, a decência de criticar sem o subterfúgio da mentira. Podemos até errar com nossa crítica, mas não mentir, seja a respeito de quem se critica ou com os nossos leitores, devemos ser éticos. Este comportamento em muito auxilia na formação educacional, pois tem como base a verdade tão importante na pedagogia verdade tão importante na pedagogia.
As escolas públicas, afetadas mais diretamente pela política de educação, não devem permitir qualquer clausura no sistema educacional. Todos que nela trabalham e todos que a freqüentam podem criar um ambiente de discussão na luta por melhorias educacionais. As escolas devem promover encontros temáticos, permitir acesso às comunidades adjacentes e produzir cultura.
A escola tem papel fundamental na mudança da subcultura oferecida pelos meios de comunicação para que alcance o maior número de pessoas possíveis e transforme seus conceitos. Quanto mais gente esclarecida menos ensino dogmatizado. Um povo sem memória histórica pouco pode produzir e transformar.
No texto “Entre a História Sagrada e a História Profana” menciona a proposta inicial da educação no século XIX em que o ensino de História no Brasil se resumia no sistema educacional religioso determinado pela Igreja católica. Fica claro que para minoria das outras religiões não era permitido espaço para receberem conhecimentos do seu próprio segmento e nem estes poderiam compartilhar de suas origens históricas nas escolas. Isto gerava um desconforto e porque não dizer um preconceito.
Enquanto na Europa os historiadores lutavam pelo reconhecimento da História como ciência, no Brasil a História fazia parte de um currículo religioso e se limitava ao ensino da própria Igreja Católica.
O reconhecimento do ensino histórico em 1837 é o ponto de partida para evolução da própria disciplina no Brasil. Ela conquista espaço significativo ao longo dos anos, até o momento em que alcança lugar como carreira universitária, isto anos mais tarde.
Contudo, percorrer este caminho não foi de fácil compreensão daqueles que mantinham a custódia do ensino público no Brasil. O início foi um caminho estreito, iniciando com o ensino histórico como opcional em escolas elementares. O alargamento iniciou em 1870 com a evidência do cientificismo introduzido no Brasil.
A questão evidente do texto é na oportunidade de reformular os currículos das escolas elementares separando a História profana da História sagrada. É o próprio movimento da história nacional que permite modificar a forma de encarar as disciplinas complementares. Fatos históricos como a abolição da escravatura, a forte entrada de imigrantes no século XIX, a República, cooperaram para uma nova adaptação curricular. Mas o poderio da Igreja Católica ainda sustentava a história sagrada como superior à cívica.
Infelizmente o que poderia ser uma vasta contribuição no currículo escolar, torna-se excomungado que é o ensino religioso. Ele tem seu valor, mas não conseguiu neutralidade por ser uma imposição de uma instituição religiosa em comum acordo com o Estado.
As próprias comunidades religiosas minoritárias sofriam preconceitos e quem as praticasse deveria aprender sua fé dentro do seu pequeno agrupamento. As sociedades judaicas e islâmicas, por exemplo, eram denominadas como sociedades beneficentes e não como instituições religiosas ou templos religiosos. Esta forma discreta foi a saída que encontraram para sua existência no território brasileiro e manutenção da fé dos seus congregados.
Isto ocorreu porque quando há o domínio de um grupo majoritário, os demais devem se calar. Isto prejudica o próprio conhecimento, o crescimento histórico de um povo e o desenvolvimento social. Conhecer outras vertentes não é agredir as virtudes da ética, mas cooperar com o desenvolvimento de um país. Entretanto, ao restringir o conhecimento, permite-se que um grupo mantenha o poder centralizado e totalitário. E quando isto ocorre no meio educacional ainda é pior, pois coopera com o grau de formação e qualidade de um povo.
Por outro lado, se o ensino religioso fosse de um cristianismo puro, doutrinário e não dogmático, a formação ética contribuiria para uma população mais consciente, generosa, comprometida com a verdade, dada às virtudes sociais e respeito as demais expressões religiosas e culturais. Pois o cristianismo em seu cerne não encoraja poderes egoístas e sim a construção de uma sociedade mais humana e esclarecida. Cristianismo e história não se engalfinham, enriquecem a sapiência.
No entanto, o texto deixa claro que a possibilidade de um ensino sagrado destituído como histórico e a História como disciplina de particularidade educacional era inapropriado. E a possibilidade dos dois andarem em paralelo era impensável. Daí a forma como o estilo de catecismos foi introduzido no ensino da História como método de perguntas e respostas, restringindo à História apenas como memorização de fatos e não reflexão e questionamento dos mesmos.
Alterar esta fórmula trouxe muitas restrições aos que a ela se opunham. Mas foi inevitável à História não ser respeitada como disciplina cívica, pois o mundo em transição sempre solicita que se repense a maneira como se trabalha e como se educa. Os próprios acontecimentos históricos foram a força propulsora para modificar as limítrofes da História na grade curricular das escolas elementares. Ou acompanhamos o tempo presente ou estacionamos.
Enfim, a trajetória da História foi aos poucos sendo desvinculada da proposta inicial do século XIX, buscando seu próprio espaço e provando sua legitimidade como disciplina fundamental para a construção de uma educação primordial e eficaz.
terça-feira, 10 de abril de 2007
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