A prática do infanticídio causa um grande sofrimento nas famílias das
crianças. Conheço muito bem a dor que essas famílias enfrentam
quando são forçadas pela tradição a sacrificar suas crianças. Mas
conheço também mulheres corajosas que enfrentam a tradição
e literalmente desenterram crianças que estavam condenadas à morte.
Essas mulheres, mesmo sem nunca terem estudado direitos
humanos, sabem que o direito à vida é muito mais importante que
o direito à preservação de uma tradição. Por causa do sofrimento do
meu povo indígena, e da coragem dos meus parentes que se opõem ao
infanticídio, eu me dispus a trabalhar na elaboração de um projeto de lei. O
primeiro esboço saiu da minha cabeça. Numa segunda fase, contei com o apoio
de uma equipe de especialistas e de um deputado federal sensibilizado pela
causa. Como indígena e defensor dos direitos fundamentais, conclamo
a sociedade brasileira, índios e nãoíndios, a participar da Campanha
Lei Muwaji . A primeira coisa que eu peço é que você assista ao
documentário Hakani - a história real de uma menina suruwaha que foi
enterrada viva, mas foi resgatada por seu irmão de nove anos. Você
vai se comover com a luta desse menino para salvar a vida de sua
irmãzinha. Depois de assistir ao filme, ajude-nos a pressionar o
governo para que a Lei Muwaji seja votada com urgência. Faz
exatamente um ano que o projeto de lei está parado na Comissão de
Direitos Humanos, o que mostra o total desinteresse do Congresso
pela causa indígena. Temos menos de um mês para fazer com que a
comissão vote o projeto ou ele cairá no esquecimento. Nós precisamos
da sua ajuda para superar essa prática terrível que ceifa a vida de
centenas de crianças inocentes.
Eli Ticuna
eliticuna@yahoo.com
sexta-feira, 13 de junho de 2008
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